Ao contrário de muitos outros países, a quem a integração europeia permitiu, ao longo das últimas dezenas de anos, beneficiar de condições de trabalho, qualidade de vida, bem-estar social e prosperidade difíceis de igualar, a generalidade dos portugueses reconhece que, apesar de o país ter beneficiado de estruturas essenciais para o desenvolvimento económico, tem, crescentemente, o sentimento de que as manchas de pobreza continuam a aumentar. Os baixos salários continuam a promover a emigração dos jovens, a falta de habitação limita o desenvolvimento harmonioso das famílias e cria um sentimento generalizado de insegurança coletiva no futuro.
Os maus resultados dos recentes indicadores da produtividade dos portugueses, a par da mediania dos indicadores nas áreas da educação, saúde, pobreza, habitação, conflitualidade laboral, etc., induzem uma fundada suspeição de incapacidade técnica e política dos sucessivos Governos que partilharam as responsabilidades de planear, aplicar, gerir e controlar os avultados recursos financeiros que a União Europeia continuará, ainda por mais algum tempo, a colocar à sua disposição.
Os baixos salários continuam a promover a emigração dos jovens, a falta de habitação limita o desenvolvimento.
Uma análise comparativa confirma a frequência dos casos que terminaram por se saldar por fracassos totais, quando a prioridade da execução dos programas comunitários era ditada por interesses políticos e objetivos eleitorais, que se tornaram rapidamente responsáveis pela flagrante mediocridade da generalidade dos indicadores.
A análise de outros projetos comunitários semelhantes confirmou que sempre que a prioridade dos projetos foi dada à resolução das causas dos problemas previamente objeto de análises e estudos criteriosos os resultados se traduziram em casos de sucesso na Europa, em casos como o da Irlanda ou países nórdicos, que são hoje igualmente reconhecidos como casos de sucesso e objeto de emulação e competitividade. Portugal raramente utiliza os mecanismos de emulação dos programas de sucesso da União Europeia e, quando isso acontece, fá-lo com lentidão. Mas esta talvez seja uma receita útil para o futuro.