PTENG

Abril de 2009

Barómetro RH / Expresso

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Dr. Amândio da Fonseca

Administrador do Grupo EGOR

OS VERDADEIROS VENCEDORES

A gravíssima   situação que atravessamos resulta , em primeira instancia, do facto de Portugal  insistir ,há muitas dezenas de anos , num  processo perdedor de negação da realidade . Por falta de coragem política o País  debate-se  com  enormes problemas  no campo da economia ,da educação , da justiça e dos equilíbrios sociais traduzidos numa generalizada perda da auto estima colectiva. A globalização da crise veio acentuar a urgência de se  definir uma visão e um projecto nacional que permita  aos portugueses saírem desta  crise mais fortes e mais determinados num País socialmente mais justo e economicamente  mais moderno e competitivo.

Neste processo doloroso  que estamos a  atravessar  importa  distinguir  os vencedores de ocasião dos verdadeiros vencedores É deste duelo de mentalidades e práticas que o futuro de todos nós se vai decidir.. Os vencedores efémeros incluem as empresas que aproveitam a situação para despedir, os sindicatos que se oxigenam a expensas da angustia dos desempregados  e toda uma  fauna especifica de especuladores, biscateiros de grandes ou  pequenas coisas e  negociantes do dinheiro, que se alimentam da  infelicidade alheia. São eles que confirmam a regra de que, numa primeira fase das crises, são muito poucos os que ganham  em comparação com  os que perdem.  E os que perdem são sempre os mesmos.

Os verdadeiros vencedores serão no entanto as organizações  que de forma coerente e determinada apostarem na inovação e na criatividade, recusarem as soluções de facilidade, forem simultaneamente autores e agentes de uma mudança profunda  da qual emergirá um País novo na qual a ecologia e a economia  constituam as traves mestras de um desenvolvimento sustentado. Nessa  nova  geração que vai sair da crise os verdadeiros vencedores  serão, no fim, os profissionais com  talento para conjugar não apenas as dimensões  estratégicas de prever, planear e organizar mas também resolver problemas, trabalhar sob pressão, influenciar e motivar pessoas, comunicar  com clareza e afirmarem-se assertivamente como líderes numa época  em que os activos humanos serão de facto, e não apenas em teoria, o mais importante valor acrescentado das organizações.