PTENG

Novembro de 2009

Barómetro RH / Expresso

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Dr. Amândio da Fonseca

Administrador do Grupo EGOR

QUEM NÃO SE SENTE ...

NÃO É FILHO DE BOA GENTE reza e com razão, o ditado popular.. Apesar da tradicional bonomia e fatalismo com que os portugueses se habituaram ao longo da história a sofrer os abusos de poder tornou-se evidente que a altura de gritar basta já esteve mais longe.

A sucessão de escândalos de natureza moral , económica ,financeira e política que assolaram nos últimos anos a democracia portuguesa e fizeram tombar ícones com pés de barro na esfera da banca, da política e nas classes mais privilegiadas geraram um sentimento de incredulidade e de injustiça que não pode deixar de afectar o "estado de alma" de todos os portugueses .

Confrontados com a mais grave crise económica e de valores da história republicana, sob a ameaça pendente de um milhão de desempregados funcionais, colocados na cauda das boas estatísticas e na primeira linha das más estatísticas da Europa , assolados pela diáspora de dezenas de milhares de trabalhadores qualificados forçados a procurar na África ou na Europa as oportunidades que deveriam existir em Portugal, os portugueses em geral e os trabalhadores em particular assistem, com espanto, ao descrédito de instituições basilares e à revelação da cupidez de personagens que se alcandoraram a posições de poder e de prestigio suportado em organizações de cariz politico, religioso ou laico.

Portugal encontra-se ,assim, numa encruzilhada complexa, ferido por uma grave moléstia moral, à beira de evoluir para manifestações de uma sociedade neurótica, traduzida em conflitos e convulsões sociais , susceptíveis de voltar a colocar em risco sistemas democráticos que, apesar de poderem gerar no ventre ninhadas de monstros, não tem alternativa possível.

A tarefa hercúlea de limpar as cavalariças dos diferentes poderes ,requer um esforço colectivo que só poderá ser assumido por uma nova sociedade civil que, apoiada em estruturas representativas e numa justiça servida por profissionais competentes, isentos e emocionalmente maturos , terminará por surgir como consequência, infelizmente distante, de uma portugalidade mais culta ,politicamente mais educada e mais preparada para identificar e recusar a manipulação dos media, a mediocridade dos poderosos e identificar os sepulcros caiados de branco que existem em todas as sociedades humanas.