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Novembro de 2010
Barómetro RH / Expresso

Dr. Amândio da Fonseca
Administrador do Grupo EGOR
UMA DOLOROSA CRISE DE CRESCIMENTO
Como consequência das nossas tradicionais fragilidades estruturais e da pressão dos problemas conjunturais da Europa, as dificuldades de natureza económica, financeira e social reflectidas no OE 2011, vão pôr à prova, mais do que a recuperação da economia, a capacidade de mudança radical de estilos de vida, valores e mentalidade dos portugueses
Quaisquer que venham a ser as soluções governativas adoptadas os portuguesas vão ter, nos próximos anos, menos trabalho, menos dinheiro e menos segurança de emprego. Não é difícil prever que a única coisa que irá aumentar é o agravamento das desigualdades sociais.
Ao privilegiarem políticas de desenvolvimento baseadas numa prática de endividamento sistemático, os sucessivos governos incentivaram a natural propensão da nossa sociedade para viver acima das suas posses.
Historicamente os processos sociais de transição e adopção de novos valores e atitudes só começam a fermentar quando os valores e atitudes de uma qualquer sociedade se esgotam por exaustão e incapacidade de se manter. O OE 2011 constitui o toque a finados de uma corrente de pensamento político pós salazarista que elegeu a manipulação da realidade e o facilitismo das promessas como instrumentos de conquista de votos a qualquer custo
Os resultados estão à vista: tanto na falência da educação, no desprestigio da justiça, no despudor da corrupção, no desprezo pela agricultura ou no primado das aparências, como no crescente sentimento de frustração e descrença com que os servidores da política são encarados.
Desafortunadamente a transformação da mentalidade colectiva dos portugueses vai fazer-se, sobretudo, à custa dos mais desfavorecidos. A multidão crescente de pobres, novos e antigos, que esta política moribunda vai deixar atrás de si constitui a prova mais visível dos custos económicos financeiros e sociais resultantes das soluções de governabilidade que se alimentam da manipulação da ignorância e do desconhecimento.
Os investimentos na educação e a cultura terão que constituir certamente uma componente orçamental prioritária numa sociedade mais democrática e mais livre.
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