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Dezembro de 2009 Barómetro RH / Expresso
Dr. Amândio da Fonseca Administrador do Grupo EGOR Á BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOSPara Erik Izraelewicz, um reputado jornalista do Le Monde Economie, o nosso planeta está a atravessar uma fase de transformação semelhante à revolução industrial dos fins do sec. XVIII. A mundialização da economia , accionada pela abertura dos mercados e poderosos meios de multimédia - telecomunicações , informática e televisão - lançou no mercado três biliões de novos consumidores e modificou profundamente não apenas a vida de cada ser humano mas também a situação da economia e da sociedade, A abertura das fronteiras comerciais , ao alterar os conceitos de espaço e de tempo , confirmou não apenas o triunfo das economias de mercado mas transformou também radicalmente as formas de produzir e comercializar. A actual crise mundial não constitui mais do que a fase aguda de um processo de transferência de riqueza a nível planetário, que começou a manifestar-se por volta dos anos setenta e que está a colocar as economias ocidentais em estado de desespero. Enquanto num dos hemisférios do planeta aumenta o desemprego e a recessão dos países ricos do outro lado assistimos ao crescimento da riqueza e do emprego nos países pobres. À medida que as industrias desaparecem ou deslocalizam, nos países desenvolvidos começa a generalizar-se no consciente colectivo o sentimento de que, depois de os russos nos tentarem roubar a liberdade, os asiáticos querem agora roubar-nos o trabalho . Em Portugal a situação é particularmente grave na medida em que , quando a industria baseada no trabalho braçal cede o seu lugar ao cérebro, a nossa impreparação tecnológica e a falta de qualificação das industrias e dos trabalhadores , torna inevitável que, no mundo dos países emergentes, tenhamos que viver com menos trabalho, menos dinheiro e menos segurança ao mesmo tempo que assistimos, impotentes, ao aumento do desemprego ,ao crescimento da pobreza e ao agravamento das desigualdades sociais. Para sair da profunda crise económica e confusão política e restituir a esperança aos portugueses o País precisaria em 2010 de um estado forte , coeso e determinado, uma opção clara de mercado e uma aposta não apenas no apoio inequívoco à iniciativa privada mas também no desenvolvimento acelerado das políticas de educação, alojamento, justiça, saúde e de poupança. |


